Ainda lembro o dia em que em meio a lágrimas e enjoo, você
me pediu pra morar contigo. E da promessa de que cuidaria bem de mim porque.
E ontem, naquela festa estranha, te vi sentado no chão, sem
barba e sem me ver, só com muitos cachos na cabeça e muito embrulho no meu estômago. Eu não sei se existia.
As castanheiras do pátio balançavam tão forte com o vento,
quanto meu cérebro dentro do crânio.
Eu quis desintegrar e ir pra longe com aquele vento, mas
depois disso eu só via você e o terror sentados no chão, sem um sorriso, sem um
afeto estampado no rosto e eu não existia.
Apareceu um palhaço, em meio a lágrimas interiores e enjoos
exteriores, rodeou, rodeou e parou atrás de mim. Menos enjoo.
Me deu uma mão, me deu a outra mão e com as duas/quatro mãos
dadas, me colocou nas costas e me tirou dali. O barulho das folhas das
castanheiras começou a se afastar assim como seus olhos sem brilho e seu
semblante amorfo. E como meu medo.
Eu e o palhaço paramos de andar, quer dizer, ele (sério, claro e certo), salvador,
comigo nas costas, sem dizer uma palavra sobre uma grama verdinha e
refrescante como a figura dele, que me faz corar e surpresa. Meu coração voltou
a bater no ritmo certo, a respiração serenou e acordei.
Sem medo desse resquício de pesadelos que ainda tenho, sem
me sentir desprotegida, sem cachos e enjoo como tem sido, com carinho distante
de palhaço, com muita certeza e amor por minha existência e só com a feliz memória
real do dia em que, em meio a lágrimas e enjoo, você me pediu pra morar contigo
e de tudo o que ganhei depois disso porque.